Música personalizada
A Fábrica de Canções
- sertanejo
- nostálgico
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Letra
[Verso 1] Na vida eu sigo rasurando a vida, sem perceber, fui adquirindo uma máquina singular, um aparelho de fabricar melodias que trabalha quieto quando começo a escrivinhar. E, no que escrevo, a realidade escondida vai se mostrando depois de tanto se ocultar; meu cérebro, cortinado de engrenagens, às vezes pede que eu as limpe sem parar. Eu tiro uma por uma, com cuidado, remonto tudo e volto a ajustar, cada engrenagem cumpre a sua parte, e quase todas trazem pensamentos bons pra me acalmar. [Pré-refrão] Meu olhar fotografa o que me cerca, e eu me desloco sem sequer notar; do outro lado do mundo, vou tecendo letras e palavras, estrofes pra cantar. [Refrão] Eu fabrico o que não sei de onde vem, carrego o que não sei pra onde vai; entre engrenagens, rimas e lembranças, meu coração se acalma e se refaz. Eu fabrico, e quando a voz se cala, sei que uma canção chegou ao fim; no silêncio, fica a paz que eu procurava, e a saudade ainda canta dentro de mim. [Verso 2] Com meu instinto sertanejo, eu participo do amor, expulsando tudo aquilo que não me convém; raramente eu uso um apagador, cometo falhas e deslizes como qualquer sonhador também. Na melodia vou pairando pelo ar, feito um pássaro voador sobre o quintal; em cada composição, um estilo diferente, e o sol é meu amigo, meu abrigo natural. Deixo os problemas de lado por um tempo, dou polimento aos fragmentos que guardei; a tristeza e a alegria ganham rima, e assim eu sigo com a sina que aceitei. [Refrão] Eu fabrico o que não sei de onde vem, carrego o que não sei pra onde vai; entre engrenagens, rimas e lembranças, meu coração se acalma e se refaz. Eu fabrico, e quando a voz se cala, sei que uma canção chegou ao fim; no silêncio, fica a paz que eu procurava, e a saudade ainda canta dentro de mim. [Ponte] De um parágrafo ou título, eu elimino as dores, e no repente começo até a chorar; nessa indústria que existe em minh'alma, que me domina, eu tento me controlar. Tudo acontece de um jeito automático, que chega a machucar meu coração; uma carga extra, pesada de imaginações, sem saber de onde veio essa fabricação. [Refrão final] Eu fabrico o que não sei de onde vem, carrego o que não sei pra onde vai; entre engrenagens, rimas e lembranças, meu coração se acalma e se refaz. Eu fabrico, e quando a voz se cala, sei que uma canção chegou ao fim; no silêncio, fica a paz que eu procurava, e a saudade ainda canta dentro de mim. Eu fabrico, e quando a voz se cala, uma canção já terminou em mim.