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O Desamor no Ar

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Letra

[Verso 1] Eu sinto o desamor suspenso no ar, fumaças de todos os tipos a se espalhar. Nevoeiros crescendo pela imensidão, do tabaco à hídrica, do solo à térmica poluição. Sonora, luminosa, radioativa também, uma destruição que não poupa ninguém. Metais, chumbos, pólvoras, partículas sem fim, e eu olho a terra perguntando: quem cuidará de mim? [Pré-refrão] As queimadas tomam conta de todo lugar, folhas secas se quebram por falta de chover. O sol se ostenta, sem querer descansar, e a terra tem sede, não sabe mais beber. [Refrão] O desamor está no ar, e a terra chama sem voz. Se a gente não aprender a cuidar, quem vai cuidar de nós? O desamor está no ar, mas ainda há tempo de ouvir: que a vida pede mãos abertas, pede espaço para existir. [Verso 2] Tá com sede a terra, daqui até o rio Jordão, solo ressecado, sem nuvem e sem trovão. Indústrias a todo vapor, do ferro ao isopor, e eu escrevo sem exaltar o tamanho dessa dor. Homens cometendo crimes ambientais, tadinhos de nós e dos animais. Soldados do corpo de bombeiro entram nesses braseiros, arriscando suas vidas, valentes companheiros. [Refrão] O desamor está no ar, e a terra chama sem voz. Se a gente não aprender a cuidar, quem vai cuidar de nós? O desamor está no ar, mas ainda há tempo de ouvir: que a vida pede mãos abertas, pede espaço para existir. [Ponte] Fogo, ar quente, criança passando mal, mulher correndo para o hospital. Vento que varre, vento parado, mormaço na pele, o couro humano bronzeado. Fatalidades, e não há dinheiro que compre solução, pomada ameniza a queimadura, não a irritação que fica na alma, que aperta o coração. Minha poesia traz seus aparatos, causando ardência nos abstratos; aqui fica a prova, diante da criação: somos miseráveis pecadores, insensatos na destruição. [Refrão final] O desamor está no ar, e eu não quero me calar. Se a gente não aprender a cuidar, a vida pode se acabar. O desamor está no ar, mas ainda há tempo de ouvir: que a terra pede nossas mãos, pede espaço para existir. O desamor está no ar... e eu peço: vamos cuidar daqui.

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