Música personalizada
Compondo e Pensando
- sertanejo
- emocionante
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Letra
[Intro] [Gaita de boca] [Verso 1] E o tempo passou ligeiro demais Nem deu pra eu perceber Alguns da família partiram em paz Vizinhos deixei de ver Colegas sumiram, amigos foram poucos A maioria me roubou Mas eu perdoei, mesmo entre destroços Meu coração não fechou As ruas de chão batido Viraram asfalto e breu O cenário ficou tão mudado Mas o caminho ainda era meu [Pré-Refrão] Andei pelo mundo, ave no espaço Sem rumo, de cá pra lá De horizonte em horizonte eu passo Subindo montes pra continuar [Refrão] E eu sigo pensando, compondo e vivendo Com o tempo passando por mim Vou contra a corrente, mas sei da maré Não salto da queda sem fim E eu sigo pensando, compondo e vivendo Com o que a estrada me deu Se a vida escreveu meus versos ao vento Eu canto o que sobreviveu [Verso 2] Enfrentei meu destino, me fiz em ilusão Debruçado em palha no chão Procurando minha alma cansada Talvez salva pelo Rei da salvação Mestre do silêncio, enxuguei minhas lágrimas Sem lenço pra me amparar Sem manteiga, comi muitos pães E aprendi a continuar Café no bico do bule Chá de hortelã e capim-santo Erva-cidreira, mate preto Raízes do sertão me deram encanto [Pré-Refrão] Com as injúrias na caminhada Pisei tapetes no chão Caprichei nos versos ao Criador E em amores sem merecer minha canção [Refrão] E eu sigo pensando, compondo e vivendo Com o tempo passando por mim Vou contra a corrente, mas sei da maré Não salto da queda sem fim E eu sigo pensando, compondo e vivendo Com o que a estrada me deu Se a vida escreveu meus versos ao vento Eu canto o que sobreviveu [Verso 3] Sem lápis, sem caneta na mão Desenhei minha história ao léu Palavras como folhas secas Soltas no vento entre a terra e o céu Puxaram minha orelha em sala Sem eu ter feito nada errado Na escola só rolava meu nome E eu seguia calado Nessas décadas vividas Fiz diplomas de democracia Mesmo caladíssimo, inventavam Fofocas sobre minha índole todo dia [Verso 4] O garoto sertanejo cresceu Lavrou o solo caboclo também Com arado e tratores no campo Seguiu sem dever nada a ninguém Com espírito indígena encontrei Tribos, flecheiros, macumbeiros Dessas presenças me livrei E atravessei meus temporais inteiros Aos olhos da luz eu busquei O Rei que conduz nossa estrada O Nazareno, tão odiado pelo diabo Jesus, minha fé adorada [Ponte] As quimeras que me deram Eu tratei como meu céu Meus devaneios fantasiados De ficção no papel Do leite, troquei queijo por doces Do amendoim, fiz paçoca então Do café maduro, café coado no pano Sabor nativo no coração [Verso 5] Comi das frutas até os bagaços Nunca vomitei o que a vida ofertou De quase tudo eu me desgrudei Mas muita coisa em mim ficou O tempo tá passando ligeiro E eu ainda caminho sem fim Compondo meus versos, pensando Na estrada que mora em mim [Refrão Final] E eu sigo pensando, compondo e vivendo Com o tempo passando por mim Vou contra a corrente, mas sei da maré Não salto da queda sem fim E eu sigo pensando, compondo e vivendo Com o que a estrada me deu Se a vida escreveu meus versos ao vento Eu canto o que sobreviveu E o tempo tá passando... E eu cá, na caminhada, Compondo e pensando. [Outro] [Gaita de boca responde suavemente] Compondo e pensando...