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Chora Eu, Chora Deus

Capa da música Chora Eu, Chora Deus

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Letra

[Verso 1] Eu vejo a espuma do mar se erguer com o vento e os motores, mas no meio do oceano só escuto a dor crescer. Pessoas vendidas, forçadas a dançar sem música, para tentar manter o corpo de pé, sem poder escolher. Nos porões, patrões roubam vidas; cada pessoa sofre agressões que deixam marcas que ninguém quer ver. E eu, que conto o que presencio, mal consigo respirar quando penso em tanta gente sem caminho pra correr. [Pré-refrão] Lá fora, estrelas no céu noturno, aqui, o porão sem claridade. O azul brilha inteiro sob o sol, por dentro, só hostilidade. [Refrão] Chora eu, chora Deus, por quem não pode escolher, por cada coração cativo que só queria viver. Se a proa bate nas águas, leva a dor de cada um; padecimentos sem fim, e nenhum descanso comum. Chora eu, chora Deus, que eu não posso me calar, mesmo que a voz venha fraca, eu preciso contar. [Verso 2] Dentro dos veleiros, não conhecem nem o dinheiro, só um ambiente hostil, tão difícil de suportar. De segunda a domingo, ouço os gritos surgindo nas crateras tão profundas que parecem não findar. E a tristeza da alma de um poeta é presenciar maldade na mente desses engenheiros desordeiros, incluindo alguns maestros marinheiros, no mar que não descansa e não deixa de os levar. [Refrão] Chora eu, chora Deus, por quem não pode escolher, por cada coração cativo que só queria viver. Se a proa bate nas águas, leva a dor de cada um; padecimentos sem fim, e nenhum descanso comum. Chora eu, chora Deus, que eu não posso me calar, mesmo que a voz venha fraca, eu preciso contar. [Ponte] Não há melodia que se cante sorrindo quando a vida é tomada e a noite não tem fim. O mar se agita, o veleiro segue, mas cada golpe fica guardado em mim. Eu ouço o silêncio por trás dos gritos, e sinto a tristeza atravessar o oceano inteiro. Não há consolo que apague o padecimento, nem horizonte que devolva o que foi roubado primeiro. [Refrão final] Chora eu, chora Deus, por quem não pode escolher, por cada coração cativo que só queria viver. Se a proa bate nas águas, leva a dor de cada um; padecimentos sem fim, padecimentos sem fim. Chora eu, chora Deus, que eu não posso me calar, por quem foi vendido e forçado a dançar. Chora eu, chora Deus, deixo a voz navegar, que a dor de cada coração não se deixe apagar.

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