Música personalizada
Eu sou, e nada é
- sertanejo
- emocionante
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Letra
[Verso 1] Quando eu decido compor, escrevo o que não sinto; quando o sentimento chega, eu não escrevo, eu me calo. E ajeito de um jeito que o desabafo vai saindo pelas surdinas, sem que eu perceba, linha a linha. Sou amante do relógio, faço o tempo parar no ambiente hostil, nômade, que me cerca. Deslizo a lapiseira nas linhas do meu ilustre caderno, me perco nas bordas da emoção — e ali reconheço a estrada. É ela que vai me levar ao ápice da imaginação. [Pré-refrão] No meio das escolhas erradias, meu universo vira uma sala cheia de realidades irreais. Eu me entrego inteiro ao silêncio que grita, e ninguém ouve o que ele me traz. [Refrão] Eu sou, e nada é, me declaro culpado e inocente. Eu inspiro, eu transpiro, e o que me atravessa fica entre as linhas. No tribunal dos escritores, eu faço — e nem sei o que faço. Eu sou, e nada é, me encontro no silêncio que me chama. [Verso 2] Por dezenas de minutos, meu coração inquieto entra em choque, pareço em estado de coma, parado à escrivaninha. É um mistério que não se explica; mesmo quando se explica, eu ainda encontro respostas no fundo da página. Nesse estado de coma, me embriago com as lágrimas das flores, mato a sede nas gotas de orvalho. Sou eu que tramo tudo dentro da minha própria teia: eu teço, eu me embaraço, e sigo procurando o fio. [Refrão] Eu sou, e nada é, me declaro culpado e inocente. Eu inspiro, eu transpiro, e o que me atravessa fica entre as linhas. No tribunal dos escritores, eu faço — e nem sei o que faço. Eu sou, e nada é, me encontro no silêncio que me chama. [Ponte] E quando a inquietação me deixa sem palavra, a lapiseira ainda corre, devagar, sobre o papel. Não sei se sou quem trama ou quem se prende na própria teia, não sei se a resposta me liberta ou me devolve ao mistério. Mas mesmo sem saber o que faço, reconheço a estrada nas bordas da emoção. Meu silêncio grita — e, por dentro, arde inteiro o coração. [Refrão final] Eu sou, e nada é, me declaro culpado e inocente. Eu inspiro, eu transpiro, e o que me atravessa fica entre as linhas. No tribunal dos escritores, eu faço — e nem sei o que faço. Eu sou, e nada é, e a minha estrada é a imaginação. Eu sou, e nada é, me encontro no silêncio que me chama.