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Azulão Triste

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Letra

[Intro] [Verso 1] No jardim, beija-flores Se destacam nas cores do ar As araras, nem vou citar De tão bonitas que estão a voar Reluz o sabiá-laranjeira Quando canta, parece oração Mas eu sou o azulão triste E este é meu nome: azulão [Pré-Refrão] Na gaiola chora eu e o papagaio Periquitos, tristeza sem fim Canarinhos e bem-te-vis Presos longe da vida que há em mim [Refrão] Liberdade, oh, liberdade É direito de todos nós Leva, poesia, o meu recado Que alguém escute a nossa voz Liberdade, oh, liberdade Do fundo do coração Só temos asas e pernas Devolvam nosso chão [Verso 2] Nos tiraram do nosso habitat Sem direito de viver como somos Na mata, o João de Barro Faz seu palácio entre os ramos No trigaral, cisca a Rolinha-roxa Livre, seguindo seu próprio caminho Não sei de quem foi essa ideia De pôr nossa vida num cantinho [Pré-Refrão] Estamos numa penitenciária Um dia nos prenderam aqui As portas e janelas, num futuro cego Ainda hão de se abrir Posso até sentir no peito Mas só posso sonhar e gritar Enquanto espero a liberdade Que não para de me chamar [Refrão] Liberdade, oh, liberdade É direito de todos nós Leva, poesia, o meu recado Que alguém escute a nossa voz Liberdade, oh, liberdade Do fundo do coração Só temos asas e pernas Devolvam nosso chão [Verso 3] Vá, poesia, leva um recado Mostra aos promotores a dor Quem sabe possam se sensibilizar Com esta história e este clamor Ser livre é direito de todos Não só do pássaro que murmura Eu falo por todos nós Nesta espera tão triste e dura [Verso 4] No meu quarto existem grades de ferro A água é parada, sem clarão A sombra se escafedeu do canto E o alimento não é dos bons, não Às vezes passamos mal aqui Leva também, por favor Um recado para o meu amor Que eu perdi depois que entrei nesta dor [Pré-Refrão] Nunca mais eu a vi desde aquele dia E este pássaro já chorou O que talvez ninguém no mundo Em toda a vida já chorou Aproveita e traz os juízes Para sentenciar nosso processo Só temos asas e pernas E nos tiraram esse direito [Ponte] Meus amiguinhos me consolam Para acalmar minhas dores Somos todos prisioneiros De humanos desordeiros Que só querem ganhar dinheiro [Refrão Final] Liberdade, oh, liberdade É direito de todos nós Leva, poesia, o meu recado Que alguém escute a nossa voz Liberdade, oh, liberdade Do fundo do coração Só temos asas e pernas Devolvam nosso chão [Outro] Eu sou o azulão triste Mas ainda canto a esperança Liberdade, oh, liberdade Pra cada ave e sua lembrança

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