Música personalizada
Sertaneja a Saudade
- sertanejo
- nostálgico
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Letra
[Intro] [Verse 1] Debruçada à janela, a saudade bateu, soltei minhas ilusões ao vento que correu. Por alguns minutos, voltei a ser criança, minha terra, minha raiz, morada da lembrança. No lago eu pescava, no terreiro, a galinhada, no pasto o gado berrava, a tarde sossegada. Na laranjeira, o mestre sabia cantando, e eu, pra matar a saudade, versos fui rabiscando. [Chorus] Bate forte, coração, deixa a lembrança falar, do leste ao oeste, do sul ao norte, meu peito quer cantar. Boa noite, senhor; bom dia, universo, a todos ofereço o carinho destes versos. Minha janela me ensina, mesmo longe do meu chão: é sertaneja a saudade que mora no coração. [Verse 2] Escrevi pra não padecer, brincando com a caneta, coleguinhas lá da escola, a professorinha e as colas. Repeti de ano; passei um ano escutando o que eu nunca desejei, e por dentro me apertando. Fechei os olhos um instante, voltei sem me mover, sentada sob a paineira, só lembrando e querendo ver. Centenária, a velha árvore guardava a casa inteira: joão-de-barro e lama molhada que descia da cachoeira. [Chorus] Bate forte, coração, deixa a lembrança falar, do leste ao oeste, do sul ao norte, meu peito quer cantar. Boa noite, senhor; bom dia, universo, a todos ofereço o carinho destes versos. Minha janela me ensina, mesmo longe do meu chão: é sertaneja a saudade que mora no coração. [Verse 3] Cheia de felicidade, vi mamãe, papai e irmãos, o verde da minha infância me consolou o coração. Da janela, outro jeito de enxergar a natureza: relva, sol e neblina, sua meiga delicadeza. O verde, em vez de assustar, me alegra sorridente; passarinhos me enfeitiçam com seus mestres, os canarinhos. Bate forte, coração, e a vida me convida: declaro meu amor por essa doce vida. [Bridge] Há pagode, há samba no cenário que imagino, mas são os pássaros que embalam meu caminho. Lugar de aconchego, paraíso de sossego, por dentro sangro, por fora me desvairo em segredo. Loucura e delírios se misturam aos caprichos, teimosias teimosas me inspiram nos escritos. Raros prazeres me alinham com os deveres; escrevo quimeras — contemplar é meu sucesso. [Verse 4] Contemplo tudo que sinto, tudo que vejo, os mistérios de uma alma sertaneja. Lá da montanha escuto, saboroso e pequenino, o gemido do sininho da igreja, tão distante no caminho. Foi aí que percebi: bem longe de lá estou. Saí da minha janela, mas fechá-la eu não fechou. Fiquei triste: ela é de aço, não de pedaços de madeira; a saudade ficou comigo, companheira verdadeira. [Final Chorus] Bate forte, coração, deixa a lembrança falar, do leste ao oeste, do sul ao norte, meu peito quer cantar. Boa noite, senhor; bom dia, universo, a todos ofereço o carinho destes versos. Minha janela me ensina, mesmo longe do meu chão: é sertaneja a saudade que mora no coração. [Outro] Após meditar, servido pelo Onipotente, o Deus que me deu tudo isso e muito mais de presente. Boa noite, senhor… bom dia, universo… a todos ofereço estes versos.