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Vento que nunca se ausenta

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Letra

[Verso 1] Eu vejo o vento chegando com notícias, cada uma com sua peculiaridade, Por muitas vezes extremamente falsas, mas tão leais que eu digo: eita, verdade. É o vento que leva e que traz, que germina e nos dá os cereais, Espalha folhas, invade ruas, avenidas e marginais. É vento de emoções, furacões de informações, Centenas de inspirações atravessando o meu peito, Vento que sacode os oceanos, vento que acalma a minha vida E a dos meus hermanos, do seu jeito imperfeito. [Pré-Refrão] Vem do sul, do oeste, do norte e do leste, Agressivo como o vento do agreste, Voraz, rasteiro, pantaneiro, serrano, Parado, quente e congelado, mudando o meu plano. [Refrão] Vento, vento, que sopra e que engole, Que murmura baixinho e depois me sacode, Que levanta, que baixa, que derruba no chão, Mas acalma, afaga e refaz meu coração. Vento, vento, leva o que pesa de mim, Traz de volta a esperança que eu pensei ser o fim, Se eu cantar o teu nome, o meu peito se inventa: Vento que passa, mas nunca se ausenta. [Verso 2] Vento que destrói, vento que ondula e prospera, Vento que xia, redemoinho que altera, Que desmancha os arrumadinhos sem pedir licença, Que berra, vento de fúria, de guerra e de presença. Vento fera, vento da terra, que assobia nas frestas Das portas e janelas, nas noites honestas, Vento da serra, vento que aterra, vento que acalma, Vento de traumas que ainda afaga as almas. E quando ele passa pelos campos e pela minha janela, Eu escuto sua força, sua dúvida, sua aquarela, Não invento outro caminho, só registro o que senti: Cada vento tem seu rosto, e todos passam por aqui. [Refrão] Vento, vento, que sopra e que engole, Que murmura baixinho e depois me sacode, Que levanta, que baixa, que derruba no chão, Mas acalma, afaga e refaz meu coração. Vento, vento, leva o que pesa de mim, Traz de volta a esperança que eu pensei ser o fim, Se eu cantar o teu nome, o meu peito se inventa: Vento que passa, mas nunca se ausenta. [Ponte] E perguntei eu ao vento: quem és tu, oh vento? Ele parou por um instante, suspirando no tempo, E o vento me respondeu, com a voz que o céu sustenta: “Sou apenas o sopro das narinas do Altíssimo, O Seu, o Seu próprio criador, a força que me alimenta.” Oh vento que vem das narinas do Altíssimo Soberano, Agora eu sei por que atravessas meu corpo sem engano; Tu podes ser furia, guerra, frio ou calmaria, Mas carregas nas asas a vontade que me guia. [Refrão Final] Vento, vento, que sopra e que engole, Que murmura baixinho e depois me sacode, Que levanta, que baixa, que derruba no chão, Mas acalma, afaga e refaz meu coração. Vento, vento, leva o que pesa de mim, Traz de volta a esperança que eu pensei ser o fim, Se eu cantar o teu nome, o meu peito se inventa: Vento que passa, mas nunca se ausenta. Vento do sul, do oeste, do norte e do leste, Vento pantaneiro, serrano, vento do agreste, Vento que vem das narinas do Altíssimo Soberano, Vento, meu irmão de estrada, meu sopro cotidiano. Vento, vento, fica um pouco e depois vai, Leva minhas dores, traz a paz que me refaz, E se o mundo perguntar quem sustenta essa canção, Eu respondo: é o vento, soprando no coração.

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