Música personalizada
Decidi Eu Fazer Amor
- nostálgico
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Letra
[Verso 1] Ontem, decidi eu fazer amor Por questão minha, de caneta em punho e papel sobre a mesa Fui me envolvendo com as letras do alfabeto E dei início à minha lição, com calma e leveza Letras esparramadas, cada uma com sua serventia Embriagado pela ilusão, eu fui me deixando levar Juntei tudo devagar, sem pressa, sem alvoroço E fui transportado, lá pro sertão, pra sonhar [Pré-refrão] Chegando lá, de cara com a poeira da estrada Abri as porteiras da fabulação Pensamentos de um índio velho, nascido inspirado Que ainda não conheceu o chato sentimento da murmuração [Refrão] Decidi eu fazer amor Com as saudades do meu peito Decidi eu fazer amor No doce chão do meu jeito Decidi eu fazer amor E o passado me sorriu Decidi eu fazer amor Foi ali que eu me perdi [Verso 2] Adentrei, fechei a mesma E fui caminhando, mansinho, sem tentar explicar Não demorou muito, e eu comecei A fazer amor com as saudades que vinham na imaginação E então senti o frescor bater na minha face Senti o cheiro do café torrado, forte, a subir Das linguiças penduradas nos varais, em cima do fogão E as panelas de ferro chiando na chapa, sem fugir Tinha brasa viva, fogaréu misturado com paixão O cardápio era variado, feito de honra e de chão Tutu de feijão, arroz, frango criado no terreiro Torresmo, macarronada e à pururuca, um leitão Saladas de alface, pepino e pimentão Comida forte, que precisa um peão boiadeiro Que carrega nos ombros muita ambição Cambaleando, eu seguia inteiro [Refrão] Decidi eu fazer amor Com as saudades do meu peito Decidi eu fazer amor No doce chão do meu jeito Decidi eu fazer amor E o passado me sorriu Decidi eu fazer amor Foi ali que eu me perdi [Ponte] Ouvi os bezerrinhos berrando Em busca de amamentação Cavalos relinchando, tropa boa Bem domada pra lida da profissão O pomar sobrecarregado E as hortaliças num vasto verde Campo que eu perdia de vista Coisa dada por Deus, que me agradece Bebi água direto da nascente E, por eu ser decente e inocente Ali só estava eu e o Criador E nem um mais concorrente Gado leiteiro, de corte, e pra grande sorte Eu me senti em casa, enfeitiçado em meu próprio norte [Refrão final] Decidi eu fazer amor Com as saudades do meu peito Decidi eu fazer amor No doce chão do meu jeito Decidi eu fazer amor E o passado me sorriu Decidi eu fazer amor Foi ali que eu me perdi