Música personalizada
Bolinhas de Sabão
- sertanejo
- emocionante
Carregando o player…
Letra
[Verso 1] Inocências, criança, oh, criança, eu corria atrás da bola sem pensar no amanhã, pulava muros, inventava mundos, e o tempo sobrava inteiro pra caber tanta ilusão. Depois eu ia pro roçado, colher os frutos que plantei com minhas mãos, e entre quimeras e fantasias, eu me vestia de fantasma pra assustar a assombração. Carrinhos de rolimã desciam ligeiros, eu, a poesia, e também minhas irmãs, que hoje se encontram, belas cidadãs, mas guardam no peito aquelas manhãs. [Pré-refrão] Tinha queimada, vôlei e jogo de medalhões, na boca da noite, de tardezinha e de manhã, travessuras sem agruras, com a lua e o sol levando longe a confusão. [Refrão] Como era bom ser criança, sem medo do tempo passar, bolinhas de sabão subindo, levando sonhos pro céu devagar. Como era bom, minha gente, que saudade boa ficou, naquele sertão de inocência, cada ilusão era amor. [Verso 2] Eu chorava por um punhado de doce de leite, chocolate com café, vida de tradição, e pegava o sabão escondido da mamãe, sem ela perceber, pra fazer minha invenção. Quando ela via, sem piedade, nos batia, e a gente achava graça depois, fazia espuma dentro de uma latinha, com um canudinho de uma caneta entre nós. Soprava ao vento as bolinhas coloridas, elas flutuavam na calada do ar, brilhavam com o sol, espumas em balão, trajetórias bonitas antes de estourar. [Refrão] Como era bom ser criança, sem medo do tempo passar, bolinhas de sabão subindo, levando sonhos pro céu devagar. Como era bom, minha gente, que saudade boa ficou, naquele sertão de inocência, cada ilusão era amor. [Ponte] Quando explodiam com o tempo, levavam sonhos que morriam no ar, e ao ver aquelas bolinhas coloridas chegando bem alto, quase a tocar o céu, eu entendia, sem saber explicar, que cada bolinha era um sonho, uma eterna e singela ilusão. As bolinhas daquele tempo estouraram, mas em algum lugar deste solo terrestre elas ainda estão flutuando, escorregando no barro, pegando chuva, e ninguém gripava, nem tinha catarro. Tinha pega-pega e esconde-esconde, jogo da velha e telefone sem fio, feito com linha de costura e potes de iogurte, bolinhas de gude no chão batido e frio. Tinha ciranda, tinha passa anel, e a pergunta volta ao coração: De onde era essa criança? É claro que era lá do seu sertão. [Refrão final] Como era bom ser criança, sem medo do tempo passar, bolinhas de sabão subindo, levando sonhos pro céu devagar. Como era bom, minha gente, que saudade boa ficou, Inocências, lá do sertão, cada ilusão era amor. Como era bom ser criança, que o tempo não leve de nós as bolinhas, os risos, as manhãs, e a menina que ainda canta em minha voz.